Palácio Nacional De Sintra: Melhores Dicas Para Visitar Em 2023

O Palácio Nacional de Sintra é o palácio mais importante de Portugal, uma vez que foi residência permanente (ou temporária) de quase todos os reis e rainhas do país. Ainda por cima, é o palácio português mais antigo de todos, com mais de mil anos de história e origens que remontam à ocupação árabe nesta região!

Além de dezenas de salas, corredores e quartos magníficos, o Palácio Nacional de Sintra é composto por inúmeros pátios exteriores, galerias cobertas e jardins luxuriantes. E prepara-te: este guia é o mais longo e completo que já publiquei no meu blogue de viagens culturais!

Por isso, queres saber mais sobre o Palácio Nacional De Sintra: Melhores Dicas Para Visitar Em 2023? Continua a ler!

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Palácio Nacional de Sintra
Palácio Nacional de Sintra

Breve História do Palácio Nacional de Sintra

À semelhança do Castelo dos Mouros, o Palácio Nacional de Sintra foi fundado pelos muçulmanos (por volta do século X) e conquistado pelo rei D. Afonso Henriques, em 1147. No entanto, as primeiras obras de intervenção só começaram na década de 1280, sob ordens do rei D. Dinis (1279-1325).

O Palácio Nacional de Sintra, tal como hoje o conhecemos, é ainda o resultado de reformas promovidas por outros três monarcas portugueses: D. João I (1385-1433), D. Manuel I (1495-1521) e D. João III (1521-1557). Por isso, é bem visível a fusão de vários estilos arquitetónicos: românico, gótico, manuelino, renascentista, etc..

Outra caraterística fascinante deste antigo palácio real é a presença do estilo mudéjar por toda a sua decoração. Aqui, destacam-se os revestimentos de painéis de azulejos hispano-mouriscos. Esta mistura de influências, materiais e elementos da arte cristã com a (já existente) arte islâmica deu origem a um monumento ímpar em Portugal!

Nem toda a gente sabe, mas o Palácio Nacional de Sintra é conhecido como o “Paço das Rainhas de Portugal”. Isto acontece porque D. Dinis criou uma espécie de “tradição” de oferecer a gestão da vila de Sintra (entre outras terras, como Óbidos) às rainhas, como dote de casamento!

Depois da Rainha Santa Isabel (a sua esposa), o Paço Real de Sintra foi administrado por dezenas de rainhas portuguesas, como D. Filipa de Lencastre (mulher de D. João I), D. Catarina de Áustria (esposa de D. João III) ou D. Maria Pia de Saboia (mulher de D. Luís), já no início do século XX.

Com a Implantação da República de Portugal em 1910, o Paço de Sintra perdeu a sua função de residência real e foi declarado Monumento Nacional, adotando o seu nome atual. No final da década de 1930, o Palácio Nacional de Sintra abriu finalmente ao público e, desde então, tem sido alvo de várias campanhas de recuperação patrimonial.

Património Mundial

Sabias que o Palácio Nacional de Sintra fez parte do quarto conjunto de inscrições de Portugal na Lista do Património Mundial da UNESCO? Esta 19ª sessão do Comité de Património Mundial realizou-se em Berlim (Alemanha), entre os dias 4 e 9 de dezembro de 1995.

No entanto, a Paisagem Cultural de Sintra inclui muitos outros sítios Património Mundial da UNESCO além do Palácio Nacional de Sintra, como o Chalet da Condessa d’Edla, o Convento dos Capuchos, o Castelo dos Mouros, o Palácio de Monserrate, o Palácio Nacional da Pena, a Quinta da Regaleira e a Vila Sassetti, entre outros.

Hoje em dia, Portugal é o décimo-oitavo país do mundo e o nono país da Europa com mais sítios UNESCO, empatado com a Polónia. Possui dezassete bens patrimoniais (tanto culturais, como naturais) inscritos na lista mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura!

Entretanto, já tive a oportunidade de visitar catorze:

Como Chegar ao Palácio Nacional de Sintra

O Palácio Nacional de Sintra é o monumento mais fácil de visitar em Sintra, no que diz respeito a acessos. Isto porque fica a 2 minutos a pé do Posto de Turismo (ou seja, a cerca de 120 metros). Portanto, podes perfeitamente poupar alguns €€€ em parques de estacionamento e/ou transportes públicos!

Das três vezes que visitei Sintra, viajei de carro – se bem que escolhi deixá-lo sempre num parque de estacionamento gratuito (à entrada da vila) e optar por caminhar ou pelo autocarro. Isto é algo que recomendo vivamente, sobretudo durante a época alta. Não só é difícil encontrar lugar à porta de cada palácio, como o próprio estacionamento é bastante caro.

DICA: Se estiveres em Lisboa e quiseres viajar de transportes públicos até Sintra, podes consultar os horários dos comboios no site da CP – Comboios de Portugal.

Horários de Abertura & Preços de Bilhetes

Os Jardins e Palácio Nacional de Sintra estão abertos todos os dias, das 09:30 às 18:30, sendo que a última entrada acontece às 18:00 (a hora de encerramento da bilheteira).

Quanto aos bilhetes, estes custam 10€ (dos 18 aos 64 anos) ou 8.5€ (dos 6 aos 17 anos, e para maiores de 65 anos), e dão acesso tanto ao Palácio como aos Jardins. Também há um bilhete de família (para dois adultos e duas crianças) a 33€. E se preferires visitar apenas os Jardins do Palácio Nacional de Sintra, podes fazê-lo gratuitamente!

DICA: Se já sabes o dia e hora em que queres visitar o Palácio Nacional de Sintra (e/ou, se pretendes visitar mais do que um monumento em Sintra), recomendo que compres as entradas pela bilheteira online da Parques de Sintra. Desta forma, tens acesso a um desconto automático de 5%!

O Que Ver no Palácio Nacional de Sintra

Palácio Nacional de Sintra

Lembras-te quando te disse na introdução que este artigo era o maior e mais detalhado que alguma vez tinha escrito? Bem, uma das principais razões é o facto do Palácio Nacional de Sintra ter mais de três dezenas de espaços de visita. E estou a falar apenas dos espaços interiores! Estas são as salas, quartos, escritórios, câmaras e aposentos, que podes descobrir neste guia:

  • Sala dos Archeiros (ou Sala de Entrada)
  • Sala dos Cisnes (ou Sala Grande)
  • Sala das Pegas
  • Câmara do Ouro (ou Quarto D. Sebastião)
  • Guarda-Roupa (ou Sala das Sereias)
  • Sala Júlio César
  • Sala das Coroa
  • Sala das Galés (ou Galeria Palatina)
  • Câmaras do Paço de D. João III
  • Sala dos Brasões
  • Câmara de D. Afonso VI (ou Quarto-Prisão de D. Afonso VI)
  • Sala Chinesa (ou Sala do Pagode)
  • Sala das Louças
  • Capela Palatina
  • Sala dos Árabes
  • Quarto dos Hóspedes (ou Sala do Leito de Aparato)
  • Cozinha
  • Sala Manuelina
  • Aposentos da Rainha D. Maria Pia – Quarto de Cama, Galeria de Cor, Quarto de Toilette & Quarto do Retrete, Sala de Estar, Casa de Banho e Guarda-Roupa

Sala dos Archeiros (ou Sala de Entrada)

Outrora um espaço a céu aberto, a Sala dos Archeiros (ou Sala de Entrada) é a primeira sala que vais visitar no Palácio Nacional de Sintra, depois de passares pelas Arcadas e por um Corredor (ambos no piso térreo), e subires a Escada monumental em caracol, que te leva ao andar nobre. E, como podes perceber pelo nome, era uma sala vigiada por “archeiros” – guardas cerimoniais armados com “archas” (uma espécie de alabarda, muito utilizada nesta época).

A Sala dos Archeiros era um local de passagem e de comunicação com dois paços reais: o que foi construído por D. João I (no início do século XV) e o que foi erigido por D. Manuel I (no início do século XVI). Atualmente, o Paço de D. João I (à esquerda) é o primeiro da visita, enquanto que o Paço de D. Manuel I (à direita) é o último.

Sala dos Cisnes (ou Sala Grande)

A Sala dos Cisnes era o Salão Nobre do Palácio Nacional de Sintra, mais precisamente do Paço do Rei D. João I e da Rainha D. Filipa de Lencastre.

O seu nome deve-se aos painéis de madeira do teto, que datam do final do século XIV e retratam dezenas de cisnes brancos (um símbolo usado por Henrique IV, o então Rei de Inglaterra e irmão da rainha).

Aqui, celebravam-se todo o tipo de banquetes reais, festas religiosas, saraus musicais e receções públicas. No reinado de D. Manuel I, a Sala Grande era chamada de Sala dos Infantes.

Como muitas outras salas do palácio, a Sala dos Cisnes foi bastante afetada pelo Terramoto de Lisboa de 1755. No entanto, as estruturas danificadas foram reconstruídas nos anos seguintes.

Sala das Pegas

A Sala das Pegas também recebeu a sua designação por causa da pintura do teto. Aliás, no reinado de D. Duarte (1433-1438), o sucessor de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, já era apelidada de Câmara das Pegas!

Neste caso, tratam-se de representações de mais de 130 pegas, que seguram a inscrição “por bem” (a divisa do rei D. João I) e uma rosa (símbolo da Casa de Lencastre).

Embora a Sala das Pegas fosse utilizada como uma segunda sala de banquetes no século XIX, sabe-se que tinha servido de sala de audiências régias até então. Por essa razão, estava equipada com um amplo estrado (ou tapete), um dossel e um trono, entretanto desaparecidos.

Câmara do Ouro (ou Quarto D. Sebastião)

A Câmara do Ouro era a terceira sala do Paço de D. João I e D. Filipa de Lencastre e um local onde o rei ou a rainha podiam receber convidados mais distintos. Sabe-se que durante os séculos XV e XVI esteve coberta de ouro (daí o nome), mas já não há qualquer vestígio desse revestimento ostensivo.

A presença de uma cama neste espaço sugere que os monarcas também utilizavam a Câmara do Ouro para pernoitar, como fez D. Sebastião durante o seu reinado (1557-1578). No século XIX, o quarto foi convertido numa sala de jantar – se bem que a decoração atual procura recuperar a sua função original.

Guarda-Roupa (ou Sala das Sereias)

A sala do Guarda-Roupa é mais conhecida como Sala das Sereias, devido à decoração marinha que compõe o teto. Situada nas traseiras da Câmara do Ouro, era acedida quase exclusivamente pelos criados da Família Real Portuguesa.

No início do século XV, as roupas e outros bens pessoais do rei D. João I e da rainha D. Filipa de Lencastre (como por exemplo, joias, calçado, pratas, etc.) não eram guardados em armários ou roupeiros, mas sim em grandes arcas de madeira.

Aliás, este Guarda-Roupa contrasta bastante com outro Guarda-Roupa do Palácio Nacional de Sintra, que integra os Apartamentos da Rainha D. Maria Pia. Este último, usado entre o final do século XIX e o início do século XX, é composto por armários fixos à parede!

Sala Júlio César

A Sala Júlio César resulta da união entre três divisões, união essa que terá acontecido no século XVIII. Devido ao seu tamanho diminuto e ao acesso direto ao Guarda-Roupa, pensa-se que estas três salas serviriam de apoio à própria Sala das Sereias.

No século XIX e com a criação de espaços inteiramente dedicados à higiene pessoal noutra parte do Palácio Nacional de Sintra, a Sala Júlio César foi reaproveitada como espaço de preparação de refeições – que eram depois servidas na Câmara do Ouro ou Sala das Pegas.

Por último, o seu nome deve-se à tapeçaria de Júlio César, uma magnífica tapeçaria flamenga datada do século XVI e que retrata um episódio da vida do célebre imperador romano.

Sala da Coroa

À primeira vista, a Sala da Coroa parece um sítio eloquente, por causa do seu nome. Contudo, a designação é uma mera alusão ao brasão de armas real pintado no teto (e que data do final do século XVIII) e não propriamente à sua função “primordial” no Palácio Nacional de Sintra.

A Sala da Coroa é ainda um dos melhores espaços para observares a mestria da arte mudéjar. Os painéis de azulejos hispano-mouriscos que revestem a parte mais baixa das paredes são quase hipnotizantes, com as suas formas geométricas, cores vivas e detalhes em relevo!

Sala das Galés (ou Galeria Palatina)

Sabias que a Sala das Galés do Palácio Nacional de Sintra é a galeria palatina mais antiga de Portugal? A notícia surgiu apenas em janeiro de 2022, depois de dois anos de trabalhos de investigação!

A Sala das Galés marca o início da visita ao Paço de D. João III e sempre foi vista como o Salão Nobre (ou Sala Grande) deste palácio. Porém, esta descoberta recente transformou-a num espaço inédito no país e apenas comparado a outras grandes galerias palatinas da Europa, como a Gallerie degli Uffizi (em Florença, Itália) ou a Galerie François Ier (no Palácio de Fontainebleau, em França).

A Sala das Galés tem diversas galés pintadas no teto (daí o nome), que ostentam não só a bandeira de Portugal, como também a dos Países Baixos e do Império Otomano. Infelizmente, estiveram tapadas no século XIX, quando a galeria foi dividida em pequenos compartimentos, para servirem de aposentos do infante D. Afonso (irmão do rei D. Carlos).

Câmaras do Paço de D. João III

Tal como acontece com a Sala dos Cisnes e as restantes salas, câmaras e quartos do Paço de D. João I, a Sala das Galés é sucedida por um conjunto de divisões, atualmente apelidadas de Câmaras do Paço de D. João III.

Se por um lado, todos os membros da Corte e demais convidados tinham acesso à Sala dos Cisnes (no século XV) e à Sala das Galés (no século XVI), o mesmo não acontecia com estas câmaras.

De acesso mais restrito, as sete Câmaras do Paço de D. João III distribuem-se ao longo de dois pisos – embora nem todas possam ser visitadas. O acesso ao andar superior fazia-se, anteriormente, pelo Corredor que leva à Sala dos Brasões e depois, por uma escada em caracol construída no século XVIII.

Sala dos Brasões

A Sala dos Brasões é, ao mesmo tempo, a sala mais impressionante dos palácios reais portugueses e a sala heráldica mais importante dos palácios reais europeus. Ocupando todo o andar nobre da torre quadrada, a Sala dos Brasões é o exemplo perfeito do poder, influência e riqueza de D. Manuel I.

Mandada construir pelo monarca no final da década de 1510, a Sala dos Brasões é icónica por causa da sua cúpula octogonal. Nela, estão representadas as suas armas reais, rodeadas pelos brasões dos seus oito descendentes. Num plano inferior, é possível observar os brasões de 72 famílias nobres de Portugal. Já as paredes foram revestidas a painéis de azulejos no século XVIII, que retratam cenas de caça e do campo.

Câmara de D. Afonso VI (ou Quarto-Prisão de D. Afonso VI)

Esta zona do Palácio Nacional de Sintra é a mais antiga de todas, pois remonta ao reinado de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão (1279-1325). E o pavimento em cerâmica, datado das décadas de 1430-1440, é uma obra-prima pelos seus quase 600 anos!

Quando a Rainha Santa Isabel e as suas primeiras sucessoras receberam a gestão da vila de Sintra, foi aqui que instalaram os seus aposentos. Isto porque estas câmaras eram as mais afastadas das grandes salas públicas e, consequentemente, as áreas mais protegidas do palácio.

No entanto, tudo mudou em 1674, quando esta câmara se tornou no quarto (ou melhor, prisão) de D. Afonso VI! Ao que parece, o rei português esteve encarcerado neste quarto durante nove anos, depois de ter sido afastado do poder pelo próprio irmão!

Sala Chinesa (ou Sala do Pagode)

A Sala Chinesa é popularmente chamada de Sala do Pagode, por causa de um grande pagode chinês que ornamenta o espaço.

Esculpida em marfim e osso, esta peça pertenceu à coleção pessoal da rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon (esposa do rei D. João VI) e chegou ao Palácio Nacional de Sintra no ano de 1850.

Tanto quanto se sabe, foram várias as casas reais europeias que receberam obras deste género durante o século XIX, oferecidas pela China.

A Sala Chinesa integrava o Paço de D. Dinis e da Rainha Santa Isabel. E pelas suas dimensões, é provável que correspondesse ao Salão Nobre (ou Sala Grande), à semelhança da Sala dos Cisnes e da Sala das Galés.

Sala das Louças

A Sala das Louças é um espaço bastante enigmático, do qual se desconhece a sua função inicial. A sua construção parece remontar ao século XV, mas é impossível precisar se esta era uma sala de audiências, uma câmara de dormir, ou até mesmo um simples local de arrumos.

Mas é certo que, no início do século XX, a rainha D. Maria Pia de Saboia transformou-a naquilo que conhecemos hoje: uma sala destinada a armazenar todas as louças utilizadas à mesa pela Família Real. Os armários que vês na fotografia ainda são os originais e os próprios serviços de jantar incluem o monograma da rainha!

Capela Palatina (ou Capela Real)

A Capela Palatina (ou Capela Real) foi fundada no início do século XIV, sob ordens do rei D. Dinis. Contudo, sofreu grandes alterações no reinado de D. Afonso V (1438-1481).

Aqui, vale a pena salientar o teto em madeira, com formas geométricas que mais parecem um céu estrelado! Pela sua idade e estado de conservação, o teto desta Capela Real é considerado um dos melhores exemplos de carpintaria mudéjar.

Nos primeiros reinados após a conclusão da Capela Palatina, o rei assistia à missa na capela-mor, ocultado por uma cortina. Já no século XVII, foi acrescentada uma tribuna superior, que permitia a D. Afonso VI (o rei-prisioneiro) participar nas cerimónias religiosas sem sair dos seus aposentos.

Sala dos Árabes

A Sala dos Árabes pertence ao núcleo central do Palácio Nacional de Sintra. Infelizmente, esta foi uma das zonas mais afetadas pelo Terramoto de Lisboa de 1755. Por exemplo, a Sala dos Árabes fazia parte de uma torre quadrada, cujo piso superior ruiu por completo.

Com tanta destruição, não é possível perceber qual era a função exata desta sala. Alguns historiadores defendem que se tratava de uma antecâmara da sala seguinte, enquanto que outros sugerem que era o quarto de dormir de D. João I.

Seja como for, a Sala dos Árabes tinha um acesso direto ao Pátio Central, através de uma escada em caracol. A pequena fonte exótica e o revestimento de azulejos mudéjares que lhe dão o nome foram instalados no reinado de D. Manuel I.

Quarto dos Hóspedes (ou Sala do Leito de Aparato)

A grande peça de mobiliário que vês na fotografia é uma cama de dossel seiscentista, esculpida em pau-preto de Moçambique e prata. Até ao momento, este é o único exemplar de “leito de aparato” em Portugal e, claro, o primeiro a ser apresentado ao público!

A Sala do Leito de Aparato é apelidada de Quarto dos Hóspedes, mas a verdade é que ninguém sabe como é que o espaço era utilizado antes do Terramoto de Lisboa de 1755.

Segundo registos históricos, esta câmara era encimada por um terraço, que comunicava com o piso superior da Sala dos Árabes (a tal torre quadrada). Só que a catástrofe natural arrasou tanto um como outro, apagando as evidências das suas primeiras funções!

Cozinha

A Cozinha do Palácio Nacional de Sintra é a maior e a mais alta cozinha que alguma vez visitei, com as suas duas chaminés cónicas de 33 metros de altura! Um verdadeiro símbolo de Sintra, a Cozinha foi construída pelo rei D. João I com estas dimensões monumentais, uma vez que se destinava a servir não só os vários membros da Família Real Portuguesa, como também as centenas de pessoas da Corte!

Sintra sempre foi um destino muito estimado pelos monarcas de Portugal, quer pela sua localização estratégica (em relação a Lisboa e ao Oceano Atlântico), quer pela riqueza da sua fauna selvagem. Como os reis (e algumas rainhas) eram grandes adeptos de caça, a Cozinha do Palácio Nacional de Sintra era muito utilizada para preparar grandes banquetes com os animais apanhados nessas caçadas reais.

Sala Manuelina

A Sala Manuelina era o Salão Nobre do Paço de D. Manuel I e, por isso, a quarta Sala Grande do Palácio Nacional de Sintra (depois da Sala dos Cisnes, Sala das Galés e Sala Chinesa). Já na segunda metade do século XIX, foi dividida em três pequenos compartimentos com a ajuda de tabiques, de forma a alojar os aposentos do rei D. Luís.

Durante o regime ditatorial do Estado Novo (1933-1974), a Sala Manuelina foi convertida num verdadeiro espaço de propaganda nacionalista. Só para exemplificar, o teto em madeira foi pintado com retratos de figuras e episódios dos Descobrimentos Portugueses dos séculos XV e XVI, com o intuito de enaltecer o papel de Portugal no processo de globalização!

Aposentos da Rainha D. Maria Pia

Sabias que a Rainha D. Maria Pia de Saboia foi a última rainha de Portugal a habitar o Palácio Nacional de Sintra? À semelhança do seu marido (o rei D. Luís), D. Maria Pia decidiu estabelecer os seus aposentos no antigo Paço de D. Manuel I, mais precisamente na ala nascente:

  • Quarto de Cama
  • Galeria de Cor
  • Quarto de Toilette & Quarto do Retrete
  • Sala de Estar
  • Casa de Passagem
  • Casa de Banho
  • Guarda-Roupa
Quarto de Cama

Este Quarto de Cama foi inicialmente concebido para o rei D. Pedro V e a sua futura esposa, a rainha D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen (os antecessores do rei D. Luís e da rainha D. Maria Pia de Saboia).

As obras decorreram entre 1857 e 1858 e, dessa altura, ainda é possível admirar dois elementos decorativos no teto: o escudo com a coroa real portuguesa e o monograma do casal (“PS”, ou seja, “Pedro & Stephanie”).

É ainda importante mencionar que este Quarto de Cama (e os restantes espaços que constituem os Aposentos de D. Maria Pia de Saboia) só abriram ao público muito recentemente, depois de décadas de trabalhos de intervenção e restauro!

Galeria de Cor

Embora a Galeria de Cor seja um espaço exterior do Palácio Nacional de Sintra (e eu tenha guardado tos os pátios, terraços e jardins para o final), decidi inclui-la aqui, por fazer parte dos Aposentos da Rainha D. Maria Pia de Saboia.

Durante o seu reinado, D. Manuel I já utilizava esta varanda como local de convívio, recreio e repouso. Mas o nome “Galeria de Cor” só surgiu mais de três séculos depois, quando D. Maria Pia decidiu fechar a varada com janelas de vidros coloridos.

Na minha opinião, este é o sítio do Palácio Nacional de Sintra que tem as melhores vistas para o centro histórico e o imponente Castelo dos Mouros. E aproveitando as arcadas, podes até tirar fotografias com um enquadramento diferente, como eu fiz!

Quarto de Toilette & Quarto do Retrete

Quando os Aposentos da Rainha D. Maria Pia abriram ao público, foram transformados num pequeno museu de artes decorativas, onde estão expostas cerca de cem peças de mobiliário, pinturas e outros objetos domésticos. Algumas destes exemplares de arte decorativa faziam parte da coleção original do Palácio Nacional de Sintra, ao passo que os restantes vieram de outros palácios nacionais e internacionais.

Vários desses móveis e utensílios estão dispostos neste Quarto de Toilette, a divisão onde D. Maria Pia de Saboia se vestia, penteava, maquilhava e perfumava. De inspiração rococó, são peças decorativas muito elegantes e reforçam o facto deste espaço ser exclusivamente feminino.

Já o Quarto do Retrete é muito estreito e composto apenas por uma latrina e um bidé, feitos de cerâmica e embutidos num móvel de madeira. Além da porta que o separava do Quarto de Toilette, o Quarto do Retrete destaca-se pelo chão de alcatifa. Ao que parece, o pavimento dos Aposentos da Rainha D. Maria Pia de Saboia estava totalmente revestido a alcatifa, mas só este pequeno pedaço é que chegou até aos nossos dias!

Sala de Estar

D. Maria Pia de Saboia recorria a esta Sala de Estar para trabalhar, trocar correspondência, descansar ou receber visitas do seu círculo mais próximo de amigos e familiares. Sabe-se ainda que foi a própria rainha quem designou a disposição do mobiliário e dos demais objetos domésticos, bem como a decoração das paredes, soalhos e janelas.

Um dos elementos mais fascinantes desta Sala de Estar é a lareira, feita em pedra lioz. Este tipo de calcário muito próspero na região de Lisboa (incluindo Sintra e Mafra), foi matéria-prima de inúmeros palácios, igrejas, pelourinhos, chafarizes e outros monumentos portugueses, como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Convento de Mafra ou a Estação Ferroviária do Rossio!

Casa de Banho

Sabias que a Casa de Banho do Palácio Nacional de Sintra era considerada bastante moderna para aquela época (isto é, entre finais do século XIX e inícios do século XX)? Além do Quarto do Retrete e do Quarto de Toilette de D. Maria Pia – presume-se que D. Luís também tinha o seu próprio quarto de vestir – esta antiga residência real disponha de uma casa de banho totalmente funcional.

Aqui, existiam vários tipos de banheiras e lavatórios, com torneiras distintas para a água fria e quente. O tamanho e altura da banheira (ou bacia), dependia do tipo de banho que a rainha desejava naquele dia: banho completo, pés, partes íntimas… Por último, repara no detalhe curioso dos vidros coloridos que compõem a janela. Acho que deixam imaginar como seria a Galeria de Cor naquele tempo!

Guarda-Roupa

Lembras-te do primeiro Guarda-Roupa que descrevi no início deste guia? Aquele que tinha pertencido ao rei D. João I e à rainha D. Filipa de Lencastre? E que se distinguia deste, porque a roupa era guardada em arcas e não em armários?

Bem, eis que chegamos então ao segundo Guarda-Roupa do Palácio Nacional de Sintra e à última paragem deste itinerário pelo interior do monumento!

O Guarda-Roupa de D. Maria Pia de Saboia era uma câmara relativamente modesta em termos de tamanho, mas cujo o espaço foi muito bem aproveitado. À exceção da porta de entrada e da janela, todas paredes estão tapadas por armários de madeira, onde eram guardado o vestuário da rainha e a roupa clara (toalhas e lençóis).

Jardins & Pátios

Ao contrário de outros palácios e mansões de Sintra (como o Palácio de Monserrate, Palácio Nacional da Pena, Chalet da Condessa d’Edla, Quinta da Regaleira, Vila Sassetti, ou até mesmo o Palácio Nacional de Queluz), o Palácio Nacional de Sintra não dispõe de grandes parques ou jardins. A verdadeira razão não é conhecida, mas pode estar relacionada com a falta de espaço ou com a proximidade com a Serra de Sintra – que é, por si só, um paraíso natural!

Ainda assim, as dezenas de reis e rainhas que aqui habitaram durante quase oito séculos, sempre procuraram construir recantos exteriores, onde pudessem passear, conviver e relaxar. E estes são os jardins, hortas, galerias, pátios e terraços, que podes descobrir neste guia:

  • Pátio da Audiência
  • Pátio Central
  • Pátio de Diana
  • Jardim do Príncipe
  • Pátio dos Tanquinhos
  • Gruta dos Banhos
  • Pátio do Leão
  • Horta
  • Jardim da Araucária
  • Jardim da Preta

Pátio da Audiência

O Pátio da Audiência situa-se entre a Sala dos Cisnes e a Sala das Pegas. Construído no início do século XV, era frequentado pelo rei D. João I para as suas reuniões e audiências (daí o nome).

As duas colunas que sustentam o alpendre são um exemplo claro do estilo renascentista. No entanto, este é só mais um espaço do Palácio Nacional de Sintra onde a chamada “arte cristã” se funde com a “arte islâmica”. Exemplo desta última é o banco corrido, feito de azulejos hispano-mouriscos.

Curiosamente, o Pátio da Audiência foi coberto algures no seu período de existência e tal não se alterou até à Implantação da República de Portugal em 1910 (momento em que o palácio foi classificado como Monumento Nacional)!

Pátio Central

O Pátio Central é, na minha modesta opinião, o pátio mais bonito e fotogénico do Palácio Nacional de Sintra. Devido à sua posição central no complexo palatino, era constantemente usado como uma espécie de “atalho” pelo rei D. João I e a rainha D. Filipa de Lencastre. Desta forma, os monarcas não tinham de atravessar todas as salas, câmaras e quartos, para chegarem onde queriam.

De entre os diversos elementos decorativos que compõem o espaço, tenho de salientar a coluna torsa (também chamada de coluna salomónica), muito caraterística da arquitetura barroca. Instalada no final do século XVI, servia de repuxo de água e era abastecida pela fonte que aparece na segunda fotografia.

Pátio de Diana

Segue-se o Pátio de Diana, que recebeu esta designação devido à figura escultórica que adorna a fonte. Trata-se de Diana, a deusa da lua, da caça e do campo na mitologia romana. Chamada de Ártemis na mitologia grega, podes facilmente reconhecê-la pelo saco de flechas que carrega às costas.

O Pátio de Diana fazia a ligação entre a Sala da Coroa e a Sala das Galés – esta última, construída num plano mais alto. Por isso, integra o Paço de D. João III. Os azulejos em relevo que revestem as paredes são alusivos às vindimas, retratando folhas de parra, galhos e cachos de uvas.

Jardim do Príncipe

O Jardim do Príncipe é o maior jardim do Palácio Nacional de Sintra e aquele que mais se assemelha a um jardim formal, com as suas sebes de buxo formando padrões geométricos. Podes visitá-lo logo depois de passares pela Sala das Galés e antes de entrares nas Câmaras do Paço de D. João III.

Se estás a pensar porque é que este sítio tão fotogénico se chama “Jardim do Príncipe”, a resposta é bastante fácil. É que, no século XIX, os aposentos do futuro rei D. Pedro V (filho da rainha D. Maria II e do rei D. Fernando II, o fundador do Palácio Nacional da Pena e do Chalet da Condessa d’Edla) tinham acesso direto a este jardim!

Pátio dos Tanquinhos

Ao fundo do Jardim do Príncipe, fica o Pátio dos Tanquinhos, um terraço amplo e sossegado, mas sem qualquer tipo de vegetação. Foi projetado no início do século XVI – em pleno reinado de D. Manuel I – juntamente com a grande torre quadrada que vês na fotografia. Aliás, esta torre é a que abriga a Sala dos Brasões!

As janelas manuelinas esculpidas no muro de pedra ofereciam ao rei vistas desafogadas para o Oceano Atlântico. E hoje em dia, são também o miradouro ideal, para admirares a Quinta da Regaleira! Já as flores, bancos e “tanquinhos” que lhe dão o nome só foram criados quase dois séculos mais tarde.

Gruta dos Banhos

Embora a Gruta dos Banhos faça parte do Pátio Central, só a consegues ver depois de passares pelos Aposentos da Rainha D. Maria Pia, devido à forma como o itinerário da visita está atualmente traçado. Ora, a Gruta dos Banhos é aquilo a que normalmente se chama de “casa de fresco”: um pequeno edifício instalado no exterior, que servia de “abrigo refrescante” nas horas de maior calor.

Pensa-se que este esconderijo foi construído juntamente com o Pátio Central, entre finais do século XV e inícios do século XVI. Contudo, a sua rica decoração com azulejos e estuque remonta ao século XVIII. Os painéis que revestem as paredes recriam cenas bucólicas, enquanto que os relevos do teto abordam temas mitológicos.

Pátio do Leão

Sabias o Palácio Nacional de Sintra é servido por uma rede de abastecimento de água, que vem diretamente de nascentes no coração da Serra de Sintra e que é quase tão antiga como o próprio palácio? Este sistema hidráulico fornecia não só água para consumo e para a rega, como também chegava às inúmeras fontes decorativas!

Datado do século XVI, o Pátio do Leão é só mais outro sítio fantástico para admirares esta engenhosa rede de abastecimento de água! De um lado, tens uma pequena fonte, decorada com azulejos hispano-mouriscos. E do outro, um longo espelho d’água, cuja bica tem a forma de uma cabeça de leão (daí o nome).

Horta

Como qualquer outro grande palácio real ou imperial, o Palácio Nacional de Sintra disponha de uma Horta (por vezes apelidado de Jardim da Horta), de forma a reforçar a sua autossustentabilidade. Esta Horta localiza-se entre o Pátio do Leão e o Jardim da Araucária, mas também pode ser vista da Sala das Galés, no andar superior (como podes ver pela segunda foto).

Aqui, eram plantados os principais produtos hortícolas que acompanhavam as refeições da Família Real, bem como árvores de fruto e vinhas. Curiosamente, foi feita uma escavação arqueológica neste local, que levou à descoberta de fragmentos de colunas pintados com motivos mouriscos, do tempo do rei D. Manuel I (isto é, início do século XVI)!

Jardim da Araucária

À medida que nos aproximamos do final desta visita virtual pelo Palácio Nacional de Sintra, é importante relembrar que estes últimos jardins do meu guia podem ser visitados de forma gratuita! Para isso, só tens de informar na bilheteira que não tencionas visitar o palácio e eles vão conduzir-te à entrada pelo Jardim da Preta (que corresponde à saída para quem visita todo o monumento).

Mas antes do Jardim da Preta, podes passear pelo Jardim da Araucária, outro magnífico jardim formal com sebes de buxo e vistas panorâmicas para o centro histórico de Sintra e o Castelo dos Mouros. É tão interessante ver como os jardins do Palácio Nacional de Sintra foram desenhados em socalcos, aproveitando ao máximo o pouco espaço exterior disponível!

Jardim da Preta

Se chegaste à última paragem deste guia, parabéns: acabaste de ler um artigo com quase 6000 palavras! Ora, o Jardim da Preta é tão fotogénico, que eu tive dificuldade em escolher as fotografias. Por isso, decidi incluir quatro imagens em vez de duas, como costumo fazer sempre!

Recentemente restaurado, o Jardim da Preta é mais outro miradouro panorâmico, decorado com canteiros de flores e sebes de buxo. E o nome é uma homenagem à lavadeira de pele negra, que foi pintada junto a um dos dois tanques de água. A jovem está acompanhada por uma figura masculina, que pode simbolizar um lacaio ou cocheiro.

Por fim, não posso deixar de mencionar a coluna torsa manuelina ao centro do jardim. Parece-te familiar, não? Pois, a mim pareceu-me uma cópia quase perfeita da que adorna o Pátio Central! Ao que parece, esta coluna encontrava-se no atual Largo Rainha Amélia e só foi retirada de lá no início do século XX!

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