Como Visitar O Jardim Do Cerco Em 2023

O Jardim do Cerco é um jardim barroco localizado junto ao Real Edifício de Mafra (um conjunto arquitetónico composto por um palácio, um convento e uma basílica). Tem cerca de 9 hectares e começou por ser uma cerca conventual, acolhendo um jardim formal, um horto botânico, uma mata e várias áreas de lazer.

Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, o Jardim do Cerco passou a ser exclusivo da corte e o jardineiro francês Jean Baptiste Désiré Bonard foi contratado para reformular o local, introduzindo novas espécies de árvores (muitas delas exóticas).

Depois de ter servido de Jardim Conventual e Jardim da Corte durante quase dois séculos, o Jardim do Cerco abriu ao público em 1910. Já a inscrição na Lista do Património Mundial aconteceu a 7 de julho de 2019, fazendo do Real Edifício de Mafra um dos mais recentes sítios UNESCO!

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Jardim do Cerco
Jardim do Cerco

Breve História do Jardim do Cerco

O Jardim do Cerco foi mandado construir pelo Rei D. João V, em 1718. Os responsáveis pelo projeto (António Soares de Faria e António Rebelo da Fonseca – este último, a partir de 1728), foram buscar inspiração aos jardins do Palácio de Versalhes, criando sumptuosos parterres de flores e arbustos.

A mata envolvente foi igualmente concebida com padrões geométricos e simétricos, sendo atravessada por caminhos amplos. Ao início, estes foram utilizados pelos monges como local de recolhimento e meditação e, mais tarde, para passeios recreativos da corte portuguesa.

Como referi na introdução, o Jardim do Cerco deixou de ser uma cerca conventual em 1834, altura em que o Convento de Mafra também interrompeu as suas funções. No ano de 1840, o Rei D. Fernando II decidiu reabilitar o Jardim do Cerco e a Tapada Real (atual Tapada Nacional de Mafra), nomeando Jean Baptiste Bonard para o efeito.

Com a Implantação da República em 1910, o Jardim do Cerco passou a ser propriedade do Estado Português e abriu portas como jardim público. E quando a Câmara Municipal de Mafra ficou com a gestão do recinto em 1994, rapidamente iniciou obras profundas de recuperação.

Património Mundial

Sabias que o Jardim do Cerco fez parte do décimo-segundo conjunto de inscrições de Portugal na Lista do Património Mundial da UNESCO? Esta 43ª sessão do Comité de Património Mundial realizou-se em Baku (Azerbaijão), entre os dias 30 de junho e 10 de julho de 2019.

Apenas um outro sítio português foi anunciado na sessão: o Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga.

Hoje em dia, Portugal é o nono país da Europa e décimo-oitavo país do mundo com mais sítios UNESCO, empatado com a Polónia. Possui dezassete bens patrimoniais (tanto culturais, como naturais) inscritos na lista mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura!

Entretanto, já tive a oportunidade de visitar catorze:

Como Chegar ao Jardim do Cerco

A maioria dos turistas que visitam o Jardim do Cerco, aproveita para o fazer numa day trip desde Lisboa. Assim, podem passar o dia inteiro em Mafra e descobrir os principais pontos de interesse da vila (nomeadamente os cinco que integram o Real Edifício de Mafra e que são Património Mundial da UNESCO):

Estátua da Fortuna, uma deusa da mitologia romana.
Estátua da Flora, outra deusa da mitologia romana.

Quando eu visitei Mafra, foi exatamente isso que fiz. Portanto, quando chegares à vila, estaciona o carro num dos vários parques de estacionamento disponíveis nas laterais do palácio (recomendo este, que é gratuito) e começa por explorar o Jardim do Cerco.

Como o jardim abre cedo, é a opção ideal para começares o teu roteiro em Mafra. Outra dica é trazeres um piquenique e almoçares no Parque de Merendas ou num dos muitos bancos do Jardim do Cerco. Desta forma, podes visitar o Palácio Nacional de Mafra de manhã e a Tapada Nacional de Mafra à tarde (ou vice-versa)!

Horários de Abertura & Preços de Bilhetes

O Jardim do Cerco está aberto todos os dias, das 09:00 às 19:00 (de 1 abril a 14 de outubro) e das 09:00 às 17:00 (de 15 outubro a 31 de março). Mas a melhor parte é que a entrada é gratuita!

Se preferires viajar em transportes públicos, podes fazê-lo de comboio ou autocarro desde Lisboa. Os comboios saem de Lisboa – Santa Apolónia em direção a Mira Sintra-Meleças e, uma vez nesta estação, tens de trocar para um comboio com destino às Caldas da Rainha. Já os autocarros fazem o trajeto de Lisboa – Campo Grande até à Ericeira.

O Que Ver no Jardim do Cerco

Lago das Omnias

O Lago das Omnias é, provavelmente, o primeiro local por onde vais passar no Jardim do Cerco, uma vez que se encontra logo à entrada, depois da estátua da deusa Fortuna. Já agora, existem outras três esculturas de deusas da mitologia romana (Pomona, Flora e Ceres), que estão espalhadas pela mata.

Ora, o Lago das Omnias é um tanque elíptico de pedra calcária, embora mais pareça um espelho de água gigante. Aqui, chega a água proveniente das várias nascentes da Tapada Nacional de Mafra, que jorra de uma bica muito curiosa, com a forma de uma cabeça de leão!

Gaiola de Pássaros

Sabias que existem mais de 60 espécies de aves no Jardim do Cerco? Enquanto umas são residentes permanentes, outras são aves migratórias e ficam por aqui somente nos meses mais amenos do ano.

Esta Gaiola de Pássaros é, na verdade, um conjunto de gaiolas com aves que aqui vivem em cativeiro. Podes encontrá-la no lado direito do Lago das Omnias (se estiveres de frente para a entrada).

As aves mais comuns do Jardim do Cerco são o periquito, o cardeal de crista vermelha, a caturra, o mandarim e a rola diamante. E, se tiveres sorte, também podes encontrar pavões!

Parterres

Os parterres do Jardim do Cerco formam o “coração” do jardim formal e são o ponto alto deste sítio do Património Mundial da UNESCO. Rodeados de sebes baixas de buxos, os vários canteiros de flores mudam de cor consoante a altura do ano, proporcionando um espetáculo visual único em cada visita!

Ao todo, existem trinta e dois parterres inspirados pelos famosos jardins do Palácio de Versalhes e agrupados em quatro secções distintas. Duas destas secções estão dispostas lado a lado, ao nível do chão, enquanto que as outras duas ficam imediatamente atrás, num plano superior.

Nora

Com mais de 7 metros de altura, a Nora centenária do Jardim do Cerco é a prova viva da genialidade dos arquitetos e engenheiros que projetaram as cinco estruturas do Real Edifício de Mafra (Palácio Nacional de Mafra, Convento, Basílica, Jardim do Cerco e Tapada Nacional de Mafra).

Até chegar a este poço de pedra, a água das 32 nascentes da Tapada Nacional de Mafra percorrem uma extensão de 5 km, que incorpora poços, aquedutos, fontes, lagos e cisternas. Este sistema hidráulico é tão engenhoso, que funciona apenas com a força gravitacional da própria água!

Horto dos Frades

O Horto dos Frades do Jardim do Cerco também é chamado de Horto das Aromáticas, por causa do tipo de plantas que aqui eram (e ainda são) plantadas. Quando a cerca conventual foi construída, os frades do Convento de Mafra definiram este espaço de cultivo mesmo encostado ao edifício.

Naquela altura, era comum os membros do clero criarem os seus próprios remédios e pomadas – e muitas destas drogas medicinais eram feitas à base de ervas e plantas. Além disso, os frades do Convento de Mafra também plantavam produtos hortícolas, que incorporavam na sua alimentação e ainda acompanhavam as refeições da Família Real.

Atualmente, o Horto dos Frades do Jardim do Cerco tem quase quatro dezenas de espécies de plantas, que eram (e continuam a ser) utilizadas para fins aromáticos, medicinais e condimentares. Depois de percorrer os vários canteiros para fotografar estas ervas, encontrei:

  • Alecrim
  • Alfazema
  • Camomila
  • Cebolinho
  • Coentro
  • Erva-cidreira
  • Erva-príncipe
  • Hortelã-comum
  • Hortelã-pimenta
  • Madressilva
  • Orégão
  • Rosmaninho
  • Salsa
  • Sálvia
  • Tomilho
  • Valeriana

Aqueduto

O Aqueduto que atravessa parte do Jardim do Cerco era uma das peças-chave do tal sistema hidráulico “engenhoso”.

Era por aqui que passava toda a água utilizada para consumo no Convento e Palácio de Mafra, bem como a água para regar os parterres e as plantações de ervas medicinais, e encher os vários lagos e fontes decorativos do jardim formal.

Grande parte desta água ficava armazenada na Nora e na Cisterna (esta última situada numa das laterais da mata do Jardim do Cerco).

Jogo da Bola

O Jogo da Bola era um passatempo muito popular entre os membros da nobreza e do clero portugueses, e as suas origens remontam aos séculos XV-XVI.

Na realidade, “Jogo da Bola” é o nome dado a este recinto a céu aberto, onde decorria uma série de jogos tradicionais portugueses, como o chamado “jogo da laranjinha” ou o “jogo do aro”.

No Jogo da Bola do Jardim do Cerco, o descampado é delimitado por um muro com várias entradas. E nesse mesmo muro, foram escavados bancos de pedra, para que os convidados pudessem assistir aos jogos.

Cisterna

A última paragem neste guia detalhado sobre o Jardim do Cerco está bastante escondida e pode passar despercebida se não estiveres a prestar atenção.

Trata-se da Cisterna, outra das componentes vitais do sistema hidráulico que fornecia a água ao Real Edifício de Mafra.

Para chegares à Cisterna desde o Jogo da Bola, vais ter de atravessar o Parque de Merendas e o Parque Infantil. Depois de passares por estes espaços recreativos, vira à esquerda e vais ver a placa “Cisterna” no meio da vegetação densa!

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